Segurança de playground, lazer é coisa séria!

Os playgrounds ou parques infantis são excelentes locais onde crianças desenvolvem suas habilidades físicas e sociais, contribuindo para a descoberta de si mesmo e a socialização por meio da experimentação e participação. É através do brincar que a criança aprende a lidar com ambientes diferentes, objetos, tempo, espaço, estruturas e pessoas.

Os parques infantis e seus equipamentos podem representar um perigo para as crianças quando não se encontram adequadamente estruturados, sendo este risco freqüentemente ignorado tanto pelas crianças como pelos pais. Todavia, observa-se que, na maioria das vezes, estes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção.

São comunicados anualmente, em departamentos de emergência, nos Estados Unidos da América, cerca de 200.000 acidentes com pré-escolares e escolares, ocorridos em parque infantil. Estima-se que, a cada 2 minutos e meio ocorre um acidente neste local, cerca de 35% destes, são graves e 3%, requerem hospitalização. Referem ainda, que a cada ano, aproximadamente 20 crianças morrem vítimas deste tipo de acidente, tendo como causa primária em 75% dos casos, queda do equipamento, que foram associadas com injúrias cerebrais. Destacam-se ainda como conseqüências relacionadas a este tipo de acidente as fraturas, lacerações, contusões, deslocamentos, amputações, esmagamentos e lesões internas (6).

Dados semelhantes são relatados na literatura, onde 75% dos acidentes em parque infantil são causados por quedas, principalmente de equipamentos para desenvolver agilidade, ou com obstáculos que favorecem desequilíbrio e quedas. As demais injúrias são causadas por colisões, especialmente nos escorregadores e superfícies inapropriadas, ou ainda, quando encontra-se expostos lascas afiadas ou parafusos soltos (7).

Com relação à faixa etária mais atingida, destacam crianças dos 5 aos 14 anos, com predominância do sexo masculino (53,5%) sobre o feminino (46,5%) (8) e em parques públicos.

Provavelmente, a ocorrência maior de acidentes em parques públicos tem relação com a manutenção dos equipamentos, retrato que também pode ser observado em nosso país, sendo que estes poderiam ser prevenidos, em maior ou menor grau, através de programas de manutenção e supervisão destes.

Estima-se, ainda, que aproximadamente 40% dos acidentes em parque infantil são resultados de uma supervisão inadequada (8). Julga-se que esta supervisão deva envolver desde os responsáveis pelas crian;as, pelo parque até os órgãos fiscalizadores.

Vale ressaltar, que as injúrias em parque infantil, causam ônus para a criança, família e sociedade, acarretando um gasto estimado de 1,2 bilhões de dólares anualmente nos EUA, relacionados à necessidade de atendimento de emergência, assim como, tratamento de seqüelas (6).

Acredita-se que estes dados, apesar de norte-americanos, devido a sua abrangência, importância social e de saúde, devem servir como alerta para profissionais e autoridades, quanto à necessidade de intervenções e estudos sobre o tema em nosso país.

Recomendações sobre Segurança

Para segurança nestes locais, recomenda-se que os brinquedos devem possuir identificações que determinem a qual faixa etária é destinado; utilizar superfícies que absorvam o impacto durante as quedas, em baixo e ao redor dos brinquedos (borracha, produtos de cortiça e de madeira, areia, grama e cascalho fino). Para brinquedos fixos a área a ser coberta por este material que reduz o impacto, durante as quedas, deve estender-se por pelo menos 1,75 m a partir da extremidade do equipamento, já para os brinquedos móveis a área a ser protegida deve ser de 1,75 m, além do deslocamento máximo do equipamento (1).

As crianças devem ser supervisionadas a todo instante, principalmente quando elas estão subindo, balançando e escorregando nos brinquedos, além de usarem protetores para cabeça, joelhos e cotovelos. Acessórios como capuz e cachecol devem ser removidos das crianças, sendo imprescindível que elas estejam calçadas. Faz-se necessário checar a temperatura das superfícies de metal antes das crianças utilizá-las, pois a luz do sol pode causar queimaduras em poucos segundos (8).

De preferência deve ficar localizado próximo a banheiros, telefone público, água potável e posto de primeiros socorros. Em relação à manutenção sugere-se que haja manutenção periódica pelo menos a cada três meses, checando presença de superfícies cortantes, parafusos soltos, alterações e desgastes nas engrenagens, sendo esta realizada por profissional especializado. Os defeitos observados devem ser comunicados imediatamente aos responsáveis, e se necessário o mesmo deve ser interditado, não esquecer de observar o ambiente quanto à presença de materiais de risco (lasca de madeira, parafusos, objetos cortantes, excretos de animais, dentre outros). Para garantir que as inspeções sejam executadas sistemática e minuciosamente, recomenda-se organizar uma lista de verificação cobrindo a revisão de todos os itens.

Vale lembrar, que o ideal é que os parques infantis fiquem localizados em locais livres de poluição ambiental e de ruídos, além de ficarem longe de tráfego intenso. Certifique-se da existência de barreira física para impedir a saída das crianças para a rua, evitando assim possíveis atropelamentos, bem como, se há ciladas ou riscos óbvios ao redor dos equipamentos para as crianças (1).

Recomendações de segurança dos equipamentos:

· Escorregador

Deve possuir corrimão, sendo preciso prover no topo um espaço que permita a criança sentar com facilidade e segurança. Serem confeccionados de material que evite acúmulo excessivo de energia solar, de forma a prevenir queimaduras e que a parte deslizante seja constituída de chapa única, evitando escoriações, cortes ou ainda que a criança possa enroscar peças do vestiário, o que aconteceria no caso de mais de uma placa. No final da descida do equipamento, é necessário uma discreta elevação para amortecer a queda.

· Balanço

Os assentos para lactentes devem ser do tipo cadeira, com encosto e proteção nas laterais, com alças de correntes fortes para a criança se segurar, sendo esta protegida de plástico, para não machucarem a mão. Ao redor do grupo de balanço devem ser erguidas barreiras de segurança, ou seja, devem ser isolados por cerca, e a entrada deve ser projetada de forma a restringir a velocidade de entrada dos usuários. Devem ser utilizados exclusivamente para menores de 12 anos.

· Gangorra

São indicadas para menores de 5 anos, devem possuir alças, que permita a criança segurar-se adequadamente. A superfície superior não deve ultrapassar o limite de um metro acima do nível do chão, e deve possuir uma cadeira no local de assento da criança, de material confortável. O mecanismo de engrenagem deve ser fechado para evitar acesso indevido das crianças, ocasionando ferimentos principalmente nos dedos. Promover um movimento contido progressivamente até chegar aos pontos extremos de movimento, de maneira que nenhuma parada, ou repentina reversão do movimento, possa ocorrer.

· Gira-gira

Deve existir uma barreira física (cerca) para evitar acesso indevido, possuir alças para a criança se segurar em todo local. Não é indicado para menores de dois anos. Deve possuir encaixe perfeito da parte giratória com o eixo do brinquedo, com um dispositivo que limite à velocidade de rotação em 5m/s a 30 rotações por minuto (rpm). Deve ter uma altura baixa, porém o suficiente para que a criança não prenda o pé no chão.

· Trepa-trepa

Recomenda-se o uso deste brinquedo por criança, após cinco anos de idade. A altura total deste equipamento, não importando se independe, ou vinculado à outra aparelhagem, não deve exceder 2 metros, com barras bem fixadas ao solo, e serem um equipamento aberto.

· Tanque de arreia

A arreia deve ser limpa a cada três meses realizando a retirada de objetos, materiais estranhos. Deve ainda ser trocada a cada dois anos e revirada a uma profundidade de 50 cm anualmente. Usar produtos adequados para limpeza. É necessário deixar coberto a noite para evitar acesso de animais e de preferência ser na sombra.

Manutenção

Em relação à manutenção sugere-se que haja três tipos de inspeções: a diária, a registrada (realizada a cada 1 a 3 meses) e a inspeção certificada que deverá ser realizada por profissional especializado (a cada 8 a 12 meses). Sendo que os defeitos observados devem ser comunicados imediatamente aos responsáveis pelo parque e se necessário o brinquedo deve ser interditado. Para garantir que as inspeções sejam executadas sistemática e minuciosamente recomenda-se organizar uma lista de verificação cobrindo o exame de todos os itens.

Considerações

A Prevenção de acidentes na infância relacionada com brinquedos de parque infantil, constitui um problema de difícil operacionalização, pois não envolve somente o conhecimento sobre as normas de segurança, é preciso o engajamento dos profissionais que trabalham com crianças e a participação da sociedade como um todo para exigir de seus legisladores ou representantes a adequada manutenção deste espaço de lazer e ainda, incitar os fabricantes de equipamentos de brinquedos de parque infantil a aumentarem a segurança de seus produtos.

Deste modo, esperamos contribuir com este artigo, de forma sucinta, com reflexões sobre o tema, encorajando os profissionais a participarem no processo de promoção da saúde através da prevenção de acidentes com brinquedos parque infantil. Lazer é coisa séria!

Maria de Jesus Castro S. Harada
Prof. Dra. em Enfermagem pela UNIFESP- Universidade Federal de São Paulo

Bibliografia Recomendada

(1) Harada, Maria de Jesus C. S., Pedreira, Mavilde da L. G. and Andreotti, Janaina Trevizan Segurança com brinquedos de parques infantis: uma introdução ao problema. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Jun 2003, vol.11, no.3, p.383-386. ISSN 0104-1169
(2) Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. Coletânea de normas de segurança de brinquedos de playground. Rio de Janeiro: ABNT; 1999. 29p.
(3) Sibert JR, Mott A, Rolf K, James R, Evans R, Kemp A, Dunstan FDJ. Preventing injuries in public playgrounds throu partnership between health services and local authority: community intervention study. BMJ 1999 Jun; 318: 1595.
(4) Ramos SR. Prevenção de acidentes em parques infantis. Informe Criança, 1999 agosto; (53):4.
(5) Centers for Disease Control and Prevention. Playground safety [serial online] 2000 May [cited 2002 Mar 25]. Available from: URL:http://www.cdc.gov/safeusa/playgro/playgrou.htm
(6) Waltzman ML, Shannon M, Bowen AP, Bailey MC. Monkeybar injuries: Complications of play. Pediatrics 1999 May; 103(5): 58.
(7) Stone DH, Morrison A, Ohn TT. Developing injury surveillance in accident and emergency departments. Arch Dis Child 1998;78:108-10.
(8) National Center for Injury Prevention and Control. National Program for Playground Safety [serial online] 2000 Jan [cited 2002 Apr 12]. Available from: URL: http://www.uni.edu/playground/home.html
(9) Filocomo FRF, Harada MJCS, Silva CV, Pedreira MLG. Estudo dos acidentes na infância em um pronto socorro pediátrico. Rev. Latino-am Enfermagem 2002; 10(1): 41-7.

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