Sistema de Iluminação de Emergência – o desafio da eficiência

Poucas pessoas se dão conta de que em um incêndio, a iluminação de emergência exerce influência significativa para o deslocamento seguro para fora da edificação na falta de iluminação normal. É curioso observar que, em situação de pânico, elas andam ou correm, para fora da edificação seguindo exclusivamente a luz emitida por uma simples luminária de emergência.

Logicamente, uma boa sinalização aumentará o nível de eficiência nas rotas de fuga e nas saídas. Porém, um aspecto não levado em consideração quando do incêndio, é a presença abundante de fumaça densa que constitui um obstáculo para a luminância e, consequentemente, confusão ao órgão visual. Somando-se a isso, o posicionamento de prateleiras nos ambientes tende a agravar a situação.

É consumado entre os engenheiros e arquitetos, autores de projetos de incêndio, que a NBR 10898/2013 já prevê situações de obstrução, projeção de sombras e opacidade dos objetos. Mas não basta que se tenha um projeto exemplar executado quando o proprietário de um comércio, um depósito ou uma indústria resolve por conta e risco locar prateleiras que vão do piso até o teto.

Pergunta-se: “E aí, o que fazer?” Podemos facilmente concluir que na maioria dos casos, o elaborador do projeto não foi contatado para que essa alteração fosse feita observando os parâmetros normativos. E o que podemos visualizar desta situação é uma possível perda de vidas que poderiam ser salvas caso localizassem as rotas de fuga corretamente iluminadas e sinalizadas.

Exagero? Não. Acontece que valorizamos muito pouco a vida das pessoas. Não precisamos ir muito longe para exemplificar fatos desastrosos da displicência quanto à observação as normas. Na madrugada do dia 27 de Janeiro de 2013, um grande número de jovens morreu em uma boate na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, devido a intoxicação pela fumaça inalada por não conseguirem escapar do ambiente. Ora, mas o que tem a ver a fumaça com a iluminação neste caso?

Acompanhado as declarações dos sobreviventes e especialistas, verificamos que grande parte das vítimas se direcionou para os banheiros por uma falha mínima de iluminação e sinalização, ou melhor, total ausência dos preventivos mais ignorados das pessoas. Quer prova mais fidedigna de que eles são indispensáveis nas edificações?

Faça um retrospecto entre as décadas de 70 e 80. Logo entenderás que os Edifícios Andorinhas, Andraus, Grande Avenida e Joelma são provas irrefutáveis de que a iluminação de emergência é o maior aliado das pessoas nos incêndios. Estudos dizem que o número de vítimas nesses casos seria reduzido se houvesse ao menos um ponto de iluminação a cada 5 m.

A exigência desse dispositivo se faz de acordo com as legislações estaduais dos Corpos de Bombeiros. Contudo, não há justificativas de se isentar a instalação de um instrumento que já se mostrou altamente funcional.

Outro aspecto muito importante é a dúvida dos profissionais em se poder instalar algum tipo de iluminação no solo, pois é costumeiro os proprietários colocarem as prateleiras e gôndolas da maneira já citada. Neste quesito, a norma correlata já prevê a colocação de luminárias junto ao piso, como é o caso de cinemas e grandes teatros, o que auxiliaria grandiosamente no escape das pessoas.

Há que se falar também nos benefícios quanto ao socorro às vítimas. Pois, a iluminação além da função de clarear, serve para localizar as pessoas que estejam impossibilitadas de se movimentar e até mesmo para que as equipes de emergência realizem as devidas manobras de socorro no local.

Quanto à projeção de sombra em degraus e objetos, uma luminária posicionada incorretamente faz com que na falta de eletricidade o olho humano crie obstáculos que não existem. Podendo assim causar acidentes gravíssimos. Como exemplo, temos um grupo de pessoas que esteja descendo em uma situação de pânico por uma escada de emergência clareada somente por blocos de iluminação. Existe uma enorme possibilidade de uma dessas pessoas pisar enganadamente em uma sombra projetada de um degrau na esperança que o seja. E podemos assim prever a queda da mesma que poderá derrubar ainda outra e assim sucessivamente.

Além da queda, podemos imaginar que terão ferimentos graves como fraturas que as deixarão imobilizadas e, portanto, mais vulneráveis as consequência do fogo, fumaça ou qualquer outro fator. Impossível de acontecer ou exagero? Simplesmente é assim que os profissionais devem imaginar quando calcular a quantidade e o posicionamento de luminárias ou blocos de emergência.

Como podemos facilmente observar, não basta que o especialista saiba que a intensidade luminosa seja de 5 lux para escadas e passagens sem obstáculos, e de 3 lux para locais planos; não é suficiente prever luminárias com autonomia mínima de 1 hora; é muito pouco saber que o grupo motogerador, deve ser acionado automaticamente a no máximo 10s após o interrupção da energia. Os engenheiros e arquitetos devem vivenciar a edificação. Percorrer cada ambiente e simular mentalmente as diversas situações de emergência possíveis para aquela ocupação.

É certo que, nenhum sistema é 100% eficaz, mas dependem de nós para que funcionem corretamente.

Ednaldo Fernando Rodrigues - Capitão do Corpo de Bombeiros do Estado de Mato Grosso, coordenador de Estudos e Análises de Projetos de Incêndio, graduando em Engenharia Civil, pós-graduando em Engenharia de Prevenção Contra Incêndio e Pânico

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