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Mestre
Valentim
Enfim, uma boa notícia!
A matéria
publicada no jornal "O Globo", no dia 01 de setembro, segunda-feira
passada, sobre a recuperação do Chafariz da Pirâmide, me fez respirar
aliviada. Por muitos e muitos anos venho sofrendo, "turistica e
culturalmente", por ver totalmente abandonado, desfigurado e depredado
um dos poucos monumentos remanescente do Rio de Janeiro colonial.
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Obra
do magistral Mestre Valentim, o chafariz foi erguido em 1789
por ordem do Vice-Rei Dom Luis de Vasconcelos, como parte das
melhorias realizadas no Largo do Paço, atual Praça XV de Novembro. |
Podemos
vê-lo retratado no quadro de Leandro Joaquim "Revista militar no
largo do Paço", que se encontra no Museu Histórico Nacional. Sua
localização no limite do largo, junto ao mar, destinava-se a facilitar
tanto a aguada dos navios (que ficavam fundeados na baia de Guanabara
por não existir cais de atracação) como abastecer de água a população
local. Seu corpo principal, em granito, é formado pelo reservatório
e chafariz encimados por uma pirâmide, com delicados ornamentos
em lioz (tipo de mármore de Portugal), tendo no alto uma esfera
armilar (globo terrestre representado pelos paralelos e meridianos
somente), que simbolizava o poderio de Rei de Portugal pelo mundo
inteiro.
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Valentim
da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim, nasceu em Minas Gerais,
por volta de 1745, provavelmente filho de um "fidalgote" portugês
contratador de diamantes e de uma escrava. A data do nascimento
é estimada e especula-se se Valentim seria filho de Francisco
Ferreira da Silva, contratador de diamantes que trabalhou no
Distrito de Diamantina de Serro Frio, MG, até 1748. Nesta data,
ao voltar a Portugal, o pai levou Valentim, que lá viveu até
os 25 anos de idade e aprendeu o ofício de "toreuta", um misto
de escultor e entalhador (de pedra, metal e madeira). |
Por
volta de 1770 Valentim retorna ao Brasil e se estabelece na cidade
do Rio de Janeiro, capital do Vice-Reino. Abre loja, oficina e estabelece
residência na Rua do Sabão, entre as Ruas dos Ourives e do Bom Jesus,
no centro comercial da cidade e ganha fama por seus trabalhos como
arquiteto, paisagista, escultor, fundidor, decorador.
Numa
sociedade de tradição colonial e religiosa, onde a burguesia branca
portuguesa controlava o poder, conseguir reconhecimento sendo mestiço
era tarefa impossível, Mas Valentim conseguiu. Amigo pessoal do
Vice-Rei Luis de Vasconcelos (que, segundo as más linguas da época,
pagava pouco a Valentim por seus trabalhos), interferiu urbanisticamente
na cidade ao construir o Passeio Público (primeiro parque da cidade)
e vários chafarizes. Deixou também sua marca em diversas igrejas,
onde até hoje podem ser apreciadas suas talhas e esculturas.
Valentim
faleceu em 1813 e está sepultado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário
e São Benedito, de cuja Irmandade era membro.
Mestre
Valentim - Breve cronologia
- por
volta de 1745 - nasce Valentim da Fonseca e Silva que seria, segundo
o artigo "Iconografia brasileira", na revista do IHGB, 1856, "filho
de um fidalgote português contratador de diamantes e de uma crioula
natural do Brasil". A data do nascimento é estimada e especula-se
se Valentim seria filho de Francisco Ferreira da Silva, contratador
de diamantes que trabalhou no Distrito de Diamantina de Serro Frio,
MG, até 1748;
- 1748
- segue para Portugal com o pai, onde aprende o ofício de "toreuta"
( escultor, entalhador de pedra, metal e madeira), onde fica até
os 25 anos;
- cerca
de 1770 - retorna ao Rio de Janeiro, onde estabelece loja, oficina
e residência na Rua do Sabão, entre as Ruas dos Ourives e do Bom
Jesus, no centro comercial da cidade. Note-se que nesta época, os
mestiços, por serem "infames pela raça", - não podiam ser patrões.
Filia-se à Irmandade dos Pardos de Nossa Senhora do Rosário e São
Benedito e, provavelmente, à Maçonaria;
- 1772
/ 1800 - trabalha na decoração interna da Igreja da Venerável Ordem
Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, na Rua Direita (hoje
Primeiro de Março), onde projetou e executou: a capela-mor, obras
do trono e talhas, grade de separação da nave e transcepto, molde
dos dois lampadários, urna e cadeira para o trono do altar-mor,
a capela do noviciado e toda a talha da igreja;
- 1781
/ 1783 - executa os moldes dos lampadários da Igreja de Nossa Senhora
de Monserrat (Mosteiro de São Bento) e da Irmandade de Santa Rita
de Cássia;
- 1783
- desmonte do morro das Mangueiras e aterro da lagoa do Boqueirão
da Ajuda para construção do primeiro jardim de lazer do Rio de Janeiro:
o Passeio Público
- 1785
- construção do Chafariz das Marrecas, na esquina da Ruas das Belas
Noites (atual Rua das Marrecas) com a dos Barbonos (atual Evaristo
da Veiga); o chafariz foi demolido em 1896 para ampliação do quartel
da Polícia; as belas estátuas da Ninfa Eco e de Narciso, peças do
chafariz, se encontram hoje no Memorial Mestre Valentim, no Jardim
Botânico do Rio de Janeiro;
- Construção
do Charafiz do Lagarto, no caminhjo da Mata-Cavalos, atual Rua Frei
Caneca;
- 1789
- início da reconstrução do prédio do Recolhimento do Parto, que
sofrera um grande incêndio. O Recolhimento situava-se na esquina
das atuais rua São José com Av. Rio Branco (onde ainda hoje há a
Igreja de |Nossa Senhora do Parto) e destinava-se a amparar mulheres
que precisavam dar a luz a seus filhos discretamente;
- 1789
- início do projeto do Chafariz da Pirâmide, no Largo do Carmo,
atual Praça XV; o chafariz atendia à população da cidade e sevia
à aguada dos navios;
- 1790
- Valentim trabalha na decoração da Igreja da Venerável Ordem Terceira
de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte (na atual rua do com Av.
rio Branco): capela-mor, retábulo do altar-mor, risco da portada
principal, molde dos lampadários e duas credências;
- 1795
- Chafariz das Saracuras, para o pátio interno do Convento da Ajuda
(que ficava na área da atual Praça Mahatma Gandhi ) por encomenda
das irmãs clarissas; com a demolição do convento, em 1911, o chafariz
foi levado para a praça Serzedelo Correia, em Copacabana, de onde
saiu para a Praça General Osório, onde se encontra atualmente;
- 1801
/ 1802 - talha na Igreja da venerável Irmandade Príncipe dos Apóstolos
São Pedro, demolida em 1944 para a abertura da Av. Presidente Vargas;
- 1801
/ 1812 - trabalha na Igreja da Irmandade da Santa Cruz dos Militares,
na atual Rua primeiro de Março, onde executa: talha da capela-mor
e altares laterais e as estátuas de São João Evangelista e de São
Mateus, que ficavam na fachada do prédio e cujos originais encontram-se
atualmente no museu Histórico Nacional;
- 1801
/ 1813 - Igreja da venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco
de Paula, no Largo de São Francisco, onde executou: toda a talha
da capela do noviciado e a talha da capela=mor (posteriormente modificada
por Antônio de Pádua e Castro);
- 1813
- assentamento de óbito nos livros da Freguesia da Sé - 1913 - inauguração
da placa comemorativa do centenário de sua morte, na Igreja de Nossa
Senhora do Rosário e São Benedito, onde se encontra sepultado.
Fonte
de consulta: Mestre Valentim - Anna Maria Fausto Monteiro de Carvalho,
Cosac & Naify Edições Ltda.
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