O Largo da Lapa e redondezas

No local onde hoje se encontra a Lapa e o Passeio Público existiu, até o final do século XVIII, uma lagoa chamada de Boqueirão da Ajuda. Ainda quando existia a insalubre lagoa, a única do Rio que desaguava no mar, o local já era passagem obrigatória para quem circulava entre o Engenho del Rey, na região da Lagoa Rodrigues de Freitas e o Engenho Velho, hoje Tijuca. Em meados do século XVIII, uma forte epidemia de gripe e febre atingiu grande parte da população carioca. O então vice-rei, d.Luís de Vasconcelos, resolveu aterrar o charco, desobstruindo assim a ligação da cidade com a zona sul. Para ocupar aquele local, o vice-rei decidiu criar um jardim público, que seria o primeiro das Américas.

A Lagoa do Boqueirão foi aterrada com material proveniente do desmonte do pequeno Morro das Mangueiras, que se erguia onde hoje está a Rua Visconde de Maranguape, na Lapa.

A tarefa de arrasar o morro, aterrar a lagoa e construir o jardim foi entregue a Mestre Valentim, considerado o melhor escultor da cidade na época.

A partir daí, o local, cujo nome teve origem na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, começou a ser ocupado e desde seu início foi um lugar próprio para a agitação, como se mantém até hoje.

O Grande Hotel, edificado em 1896, pelo Comendador Guilherme Porto em cujo prédio está instalada a Sala Cecília Meireles, foi um hotel importante e luxuoso, porque era utilizado por figuras importantes da República, graças à sua proximidade com o Senado Federal no Palácio Monroe.

(foto de Marc Ferrez)

A Rua do Passeio, embora já existente desde o século XVII, ganhou este nome depois da criação do Passeio Público. Nela estão localizados prédios importantes como a Escola de Música da UFRJ, o Automóvel Clube do Brasil, o prédio da antiga Mesbla e o prédio do antigo Cinema Metro, que durante muito tempo foi um dos mais importantes cinemas da cidade. Nela nasceu o primeiro jornal brasileiro, a Gazeta do Rio, em 1808.

A Rua Senador Dantas foi aberta em 1886, para ligar o Largo da Carioca à Rua do Passeio e facilitar a movimentação para a zona sul da cidade pelos bondes puxados a burro. Seu nome foi uma homenagem ao Senador e Conselheiro Manoel Pinto de Souza Dantas.

Os famosos cafés, restaurantes, leiterias, que foram ponto de encontro de músicos, sambistas, artistas, intelectuais, foram, ao longo dos anos, desapropriados e demolidos para surgir a fisionomia atual do bairro.

LAMPADÁRIO DA LAPA

Marcos das reformas empreendidas pelo prefeito Pereira Passos no início do século XX, os velhos lampadários do Rio ainda chamam a atenção por suas formas inusitadas e elegantes.

O mais famoso deles é o Lampadário Monumental da Lapa, obra do escultor Rodolfo Bernardelli, encomendada pelo próprio Pereira Passos por ocasião da abertura da Av. Mem de Sá. O lampadário, situado no Largo da Lapa, foi inaugurado em 1906 e possui mais de 15m de altura. O monumento foi executado, em bronze e granito, pela Fundição Brasileira de Ferro e Bronze Kobler e Cia., e se destaca pelo uso de figuras da fauna brasileira, como cobras e golfinhos. Alguns historiadores acreditam que a intenção de Bernardelli era homenagear Mestre Valentim, o primeiro a utilizar essa temática.

No decorrer do século, o lampadário teve alguns de seus elementos originais alterados: a parte superior, que contém elementos heráldicos do brasão do Rio, como caravelas, golfinhos e as torres do castelo, teve sua ordem invertida. O anel de torres que se encontrava sob as serpentes foi rebaixado. Da coluna que sustenta a esfera armilar foram retiradas pequenas lâmpadas dispostas em quatro fileiras verticais. Também foram retirados os detalhes que ficavam entre as esculturas de bronze e o lampadário inferior. Mesmo assim, o velho lampadário ainda é um marco, ao lado dos Arcos, da paisagem da Lapa.

ARCOS DA LAPA (AQUEDUTO DA CARIOCA)

Conhecido popularmente como Arcos da Lapa, o Aqueduto da Carioca é a mais monumental obra empreendida no Brasil durante o período colonial. Marco na paisagem da cidade, o velho aqueduto, hoje transformado em via dos bondinhos de Santa Teresa, tem 270m de extensão, duas fileiras superpostas de arcos plenos (num total de 42 arcos) e 17m de altura em seu trecho mais elevado.

No local onde hoje erguem-se os arcos existia no passado uma praça onde escravos eram comercializados. Como a falta d'água era um problema crônico no Rio colonial, o governador Aires de Saldanha construiu, entre 1719 e 1725, um aqueduto para levar a água de uma nascente no Silvestre até o Largo da Carioca. O aqueduto uniria os morros de Santa Teresa e Santo Antonio e as águas desembocariam em um grande chafariz de 16 bicas. Em 1750, o governador Gomes Freire de Andrada reformaria os arcos, dando-lhes maior solidez e racionalidade.

Semelhante ao Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, o Aqueduto da Carioca foi construído à base de granito brasileiro e argamassa de cal, areia e azeite de peixe. Em 1872 sua feição original foi alterada quando um pegão central foi retirado. Em 1948, dois arcos inferiores foram substituídos por um arco duplo.

Em 1896, cogitou-se da idéia de criar uma linha de bondes à tração elétrica, que levaria os passageiros de uma estação no Largo da Carioca para Santa Teresa. A partir de então os bondinhos passaram a trafegar sobre os arcos. Nesta época foi acrescentado um parapeito de alvenaria com pequenos arcos ogivais. Estes arcos foram retirados na década de 1960, quando também foi demolido o casario que se apoiava no aqueduto.

Em 1988 os arcos foram restaurados e impermeabilizados. Em 1995 os arcos sofreram nova restauração: o sistema de trilhos e dos dormentes foi substituído e os pontos de infiltração foram recuperados.

Fonte: Mais Garrida Produções Culturais

Leia outras matérias apresentadas nas colunas ABC Micro, Alimentos, Dicas no Portal, Gestão Condominial, Jardinagem, Painel dos Leitores, Pequenos Reparos, Notícias do Rio, Reciclagem, Terapias Alternativas e Turismo.

PORTAL DOS CONDOMÍNIOS - produtos, serviços e informações para seu dia a dia.
 
 





 


Fale Conosco - Para anunciar no Portal - Para obter mais informações
Site melhor visualizado na resolução 800x600 pixels.

Copyright © 2003, QuadraVirtual - Soluções via Web Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.