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Igreja
da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência
- Rio de Janeiro
Pequeno histórico
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Existe
uma igreja no centro do Rio da qual a maioria dos cariocas
nunca ouviu falar: a Igreja da Venerável Ordem Terceira de
São Francisco da Penitência. Considerada a expressão máxima
do barroco brasileiro, ela se "esconde" por trás de uma fachada
simples, no alto do morro de Santo Antônio, no Largo da Carioca.
Pela sua localização, é muitas vezes confundida com a igreja
do Convento e são poucos aqueles que, no corre-corre do dia
a dia do centro da cidade se dão ao trabalho de reparar que
ali existem, na realidade, duas igrejas.
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A
Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência foi fundada
no Rio de Janeiro em 1619, tendo logo em seguida conseguido autorização
dos franciscanos do Convento de Santo Antônio para construir, anexa
à igreja conventual, uma capela dedicada à nossa Senhora da Conceição,
sua padroeira. A capela foi inaugurada em 1622. A construção da
atual igreja se iniciou em 1653 mas, por conta de desentendimentos
entre a Irmandade e os frades e entre seus próprios membros só em
1736 aconteceu sua inauguração. Mas pronta, mesmo, ela só ficou
em 1773.
Esta
igreja é um requintado exemplar do luxo e da dramaticidade dos séculos
XVII e XVIII, além da demonstração do poderio financeiro da Ordem
Terceira (o braço leigo da ordem do santo de Assis) que fez fortuna
com as doações de seus membros e com as receitas de seu hospital.
Sua
sofisticação - em estilo barroco com detalhes rococó, chamado de
estilo joanino, em alusão à época de D. João V - e a das imagens
foge ao padrão brasileiro da época. Ultrapassa, mesmo, os padrões
em uso, na época, em Lisboa. Além de antecipar o barroco mineiro,
também chama a atenção sua unidade de estilo, coisa rara numa época
em que as igrejas levavam muito tempo para ser construídas e iam
tendo o projeto modificado durante a obra. Composta de nave única
retangular, paredes com correspondência simétrica, seis altares
laterais e 2 púlpitos, um de seus destaques é o piso do altar-mor,
em encaixe de mármore, que se repete na pintura dos painéis laterais.
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Com
todo o seu interior revestido em talha de madeira recoberta
com folhas de ouro, esta igreja ostenta o resultado do trabalho
de três dos mais importantes artistas portugueses da época:
Manuel de Brito, autor da talha da capela-mor e dos púlpitos,
e o mestre escultor Francisco Xavier de Brito, que executou
as talhas das paredes laterais e - que mais tarde influenciaria
o trabalho de Aleijadinho em Minas Gerais. |
O terceiro
artista foi o pintor Caetano da Costa Coelho, que pintou a glorificação
de São Francisco em perspectiva (técnica já comum no barroco italiano
mas nunca utilizada antes no Brasil) nos 35 metros do teto da nave
. Nela existem, também, painéis de José Dias, que foi o primeiro
pintor carioca.
Ocupam
o altar duas imagens importantes: um espetacular Cristo seráfico
- Jesus Cristo como um anjo, com três pares de asas, como na visão
que São Francisco teve ao receber as chagas de Cristo em 1220 -
e uma Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a padroeira dos franciscanos,
datada do século XVIII, vinda de Portugal, com quase dois metros
de altura.
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Mas
todo este deslumbrante esplendor ficou, por quase 13 anos,
fechado ao público, entregue à umidade e aos cupins, ameaçando
desabar. Um investimento da ordem de 3,5 milhões de reais
feito pelo BNDES, através da Lei Rouanet possibilitou o trabalho
de recuperação da igreja, que teve a primeira parte de sua
restauração terminada em abril de 2001. A segunda parte, já
iniciada, está orçada em 1,2 milhões de reais e inclui a recuperação
da capela original (dentro da igreja de Santo Antônio), das
salas anexas, da casa do administrador, além da construção
de um prédio para abrigar documentos e as mais de duas mil
peças tombadas pelo IPHAN.
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Resgatar
esta jóia do barroco que parecia destinada à ruína foi tarefa executada
em 28 meses por 120 profissionais, de arquitetos a pintores. Munidos
de bisturis cirúrgicos, espátulas de dentistas, lixas e solventes,
os restauradores retiraram crostas de sujeira, camadas recentes
de tinta, além de executar projetos de instalação de iluminação,
segurança, pesquisa e museografia.
Para
que a igreja fosse preservada, o tratamento de descupinização abrangeu
não só a área do morro de Santo Antônio, mas boa parte do Largo
da Carioca. As imagens foram submetidas à análise por tomografia
computadorizada visando sua preservação, a verificação de seu estado
interior e a descoberta de sua pintura original escondida sob inúmeras
camadas de tinta. Na Nossa Senhora da Conceição que fica no altar-mor,
por exemplo, descobriu-se, sob um inexpressivo manto azul, um precioso
brocado esculpido, com detalhes em ouro.
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Descobriu-se
também que o Senhor Morto da igreja, um tanto torto e esquisito,
era, na verdade, um Cristo crucificado adaptado, que tivera
os braços serrados e colados ao longo do corpo e os olhos
fechados com massa para cumprir a nova função.
A
pintura do teto estava coberta de uma crosta de sujeira e
mofo, devido à infiltrações no telhado, que tirava boa parte
do impacto visual da obra, dramática no jogo de luz e sombra.
Além
de todo este tesouro artístico, encontra-se , numa sala anexa,
um pequeno museu contendo alguns objetos usados na Procissão
das Cinzas. Realizada pela Ordem de 1640 a 1862, na quarta-feira
de cinzas, esta procissão era famosa na cidade e exibia santos
de tamanho natural visando, no início, impressionar os índios.
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Este
deslumbrante patrimônio está, agora, novamente aberto ao público
e, sem dúvida, vale uma visita, que eu recomendo bastante ! Horário
de visitação: de segunda à sexta-feira, das nove ao meio-dia e de
uma às quatro da tarde.
Leia
outras matérias apresentadas nas colunas ABC Micro, Alimentos,
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