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Igreja
da Glória do Outeiro- Rio de Janeiro
Tesouro
Barroco Restaurado
Azulejos
da Igreja da Glória do Outeiro são devolvidos à população inteiramente
recuperados
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Uma
preciosidade do barroco carioca foi entregue totalmente restaurada
à população. No último 23 de junho, uma cerimônia com a presença
do ministro da Cultura, Gilberto Gil, marcou o encerramento
dos trabalhos de restauração dos 8 mil azulejos da Igreja de
Nossa Senhora da Glória do Outeiro, considerado o conjunto mais
importante existente no Rio de Janeiro e um dos mais destacados
do Brasil. |
Os
trabalhos de restauração, iniciados em fevereiro de 2002, duraram
18 meses e foram patrocinados pelo BNDES, que participou com R$
1,3 milhão, e pela Petrobras, com R$ 200 mil. O projeto foi executado
pela Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, entidade sediada em
Portugal, com larga experiência em conservação e restauro de mobiliários
e azulejos, tendo já recuperado o interior da Igreja de Santo Antônio
de Igarassu, em Pernambuco, e os azulejos do Convento da Ordem Terceira
de São Francisco da Penitência, em Salvador, Bahia.
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Instalados
em 1739, os azulejos da Glória se encontravam em péssimo estado
de conservação. As peças estavam impregnadas de sujeira, cloretos,
nitratos, gesso, resíduo de velas, microorganismos, fungos e
brometos. O maior problema era a grande quantidade de sal, devido
à proximidade do mar e ao fato dos azulejos terem vindo de Portugal
de navio mergulhados na água. |
O passar
dos séculos foi cruel aos azulejos do Outeiro da Glória: a umidade
excessiva danificou a superfície dos painéis. A argamassa de qualidade
inferior e a falta de espaçamento entre as peças também prejudicaram
o conjunto. "Deve ter havido problema de cálculo e o desenho excedeu
o tamanho das paredes. Para caberem, foram colocados muito juntos,
sem espaço para a cerâmica respirar", explicou a presidente da Fundação
Espírito Santo, Maria João Espírito Santo.
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Para
recuperá-los, foi necessário retirar as peças uma a uma. Na
primeira fase, todas foram limpas com água destilada. Depois,
as pinturas foram restauradas. Segundo o coordenador da restauração,
Duarte E. Santos, 417 réplicas tiveram que ser feitas para substituir
as peças quebradas ou em estado precário. |
Os
trabalhos foram desenvolvidos por uma equipe formada por técnicos
portugueses e brasileiros, composta por uma engenheira química,
dois historiadores da arte, quatro técnicos de conservação e restauro,
cinco artífices qualificados, além de quatro estagiários.
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Na
cerimônia de encerramento das obras, além do ministro Gilberto
Gil, estiveram presentes o presidente do BNDES, Carlos Lessa,
a presidente da Fundação Espírito Santo, Maria João Espírito
Santo Bustorff Silva, e o vice-governador do Rio, Luiz Paulo
Conde. Os presentes assistiram à missa solene, rezada pelo capelão,
Sergio Costa Couto, e ao concerto da cravista Rosana Lanzelotti. |
Um
conjunto de "extraordinária harmonia compositiva"
Os
8 mil azulejos da Igreja da Glória do Outeiro, datados de 1743,
são atribuídos ao mestre ceramista Valentim de Almeida, expoente
do período do Barroco. Os azulejos formam 61 painéis historiados,
que substituem a talha como ornamentação e decoram a sacristia,
a nave, o altar-mor e o coro da Igreja.
O conjunto
impressiona pela sobriedade. Os painéis apresentam desenho monocromático
azul sobre fundo branco. Os da nave e do altar-mor foram executados
entre 1735 e 1740 e retratam cenas inspiradas no Cântico dos Cânticos,
do Antigo Testamento, uma temática bastante comum na azulejaria
portuguesa. São cenas pastoris que têm como figura central a apaixonada
Sulamita, rodeada de suas companheiras e um anjo, tocando instrumentos
ou construindo guirlanda de flores, num cenário de jardins.
Nos
painéis de azulejos do coro, executados entre 1740 e 1745, aparecem
personagens do Antigo Testamento, como Judas, Feres, Isaac, Aminabad,
Aram e Naazan, em um cenário de paisagens. Na Sacristia há uma barra
de azulejos com cenas profanas de caça ao javali. Segundo o especialista
em azulejaria, José de Monterroso Teixeira, os painéis da Glória
integram o ciclo dos grandes mestres da azulejaria e são típicos
de um barroco amadurecido.
Em
seu importante trabalho "Arquitetura Religiosa Colonial no Rio de
Janeiro", a historiadora de arte Sandra Alvim classificou os azulejos
do Outeiro da Glória como "elemento estruturador do volume interno"
e de "extraordinária harmonia compositiva". Para Sandra, "com seu
desenho composto por volumosas curvas, sua cor azul e sua continuidade
ao longo da nave e capela-mor, os azulejos do Outeiro da Glória
quebram a rigidez da construção, definida por planta de nave poligonal".
Fonte: Mais Garrida Produções Culturais
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