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Cuidados
no Projeto da Portaria
Tendo trabalhado com sistemas de acesso e portaria há
vários anos e visitado muitos condomínios, percebi
um problema em quase todos eles : o projeto de portaria.
Ainda
não encontrei uma portaria que fosse projetada visando
totalmente a segurança. Já encontrei portarias
lindas, uma verdadeira obra de arte, super bem decoradas,
de uma arquitetura maravilhosa, mas quando vamos ver o lado
prático da segurança, minha decepção
é grande. Veja alguns pontos que andei observando:
- Pilares
lindíssimos ou paisagismo que tampam a visão
de pontos bastante vulneráveis.
- Numa
errônea pretensão de proteger o vigilante,
vi portarias que não tem nenhuma abertura para passar
documentos, fazendo com que o vigilante tenha que se expor
totalmente para apanhar o documento.
- Portas
laterais que quando um veículo passa pelo lado da
portaria, deixa o vigilante totalmente exposto e vulnerável.
- Portão
de entrada de visitantes a pé muito distante da portaria,
que não permitem ao vigilante uma avaliação
visual precisa.
- Portões
de grades feitos com barras retangulares muito largas que
quebram a visão externa dependendo do angulo que
se olha.
- Vidros
comuns em vez de à prova de balas.
É
frustrante para um síndico ter que "engolir"
os projetos horríveis de portaria feitos pelas construtoras.
Porém para reformar uma portaria, são necessários
muitos recursos e muitas vezes estão em desacordo com
os moradores que não enxergam o problema.
Além
do projeto físico da portaria, outro ponto que prejudica
ainda mais são os procedimentos, que muitas vezes são
falhos ou ainda inexistentes, ficando a decisão para
o próprio vigilante. Veja alguns casos que presenciei:
- Entregadores
que entram livremente no condomínio.
- Muitas
vezes pessoas se passando por prestadores de serviços
ganham a amizade de porteiros que deixam de proceder de
acordo com as normas, com a desculpa "eu conheço
ele".
- Cadastramento
de visitantes sem pedir o documento. Muitas vezes, para
agilizar, tudo é "de boca" sem a apresentação
de documentos.
- Distrações
que tiram a atenção do vigilante : brigas
simuladas, mulheres vistosas, etc.
- Pessoas
"nervosinhas" que intimidam o vigilante forçando-o
a tomar decisões rápidas e erradas.
- Preocupação
exagerada com veículos e menos com as pessoas. Geralmente
há de 2 a 3 câmeras focadas nas entradas de
veículos, que filmam o veículo e a chapa.
Gosto de lembrar que não são os veículos
que cometem crimes e sim as pessoas. Uma identificação
precisa do motorista e dos ocupantes é muito mais
importante do que uma chapa.
- Cadastro
de visitantes sem destino. Pede-se nome, documento, telefone,
endereço, nome da mãe, etc. mas não
se registra para onde ele está indo.
Vigilantes
e porteiros mal preparados são outro inimigo da segurança.
Vi condomínios que procurando economizar, contratam
ex-policiais ou policiais de folga para vigilância.
Não gosto muito desta atitude, a não ser que
esses passem por uma reciclagem, o policial não é
a pessoa ideal para cuidar deste tipo de trabalho. Longe de
mim de duvidar da competência deles no serviço
policial, na segurança pública, eles são
muito bem treinados para isso e realizam seu serviço
de modo espetacular. Mas num condomínio utilizando-se
de segurança passiva, o policial mal preparado pode
utilizar de sua ostensividade de policial de rua e causar
problemas, até mesmo agressões desnecessárias.
Uma
portaria funcional, equipamentos modernos, normas e procedimentos
adequados e pessoal qualificado, formam um conjunto indispensável
para uma segurança eficiente. Espero que com essas
pequenas dicas, os síndicos possam avaliar melhor suas
portarias.
Caso
haja interesse do síndico, agende conosco uma palestra
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