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Segurança
de playground, lazer é coisa séria!
por
Maria de Jesus Castro S. Harada
PROF. DRA. EM ENFERMAGEM PELA UNIFESP- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO
PAULO.
e-mail para correspondência: jjharada@uol.com.br
Os
playgrounds ou parques infantis são excelentes locais onde
crianças desenvolvem suas habilidades físicas e sociais,
contribuindo para a descoberta de si mesmo e a socialização
por meio da experimentação e participação.
É através do brincar que a criança aprende
a lidar com ambientes diferentes, objetos, tempo, espaço,
estruturas e pessoas.
Os
parques infantis e seus equipamentos podem representar um perigo
para as crianças quando não se encontram adequadamente
estruturados, sendo este risco freqüentemente ignorado tanto
pelas crianças como pelos pais. Todavia, observa-se que,
na maioria das vezes, estes poderiam ser evitados com medidas simples
de prevenção.
São
comunicados anualmente, em departamentos de emergência, nos
Estados Unidos da América, cerca de 200.000 acidentes com
pré-escolares e escolares, ocorridos em parque infantil.
Estima-se que, a cada 2 minutos e meio ocorre um acidente neste
local, cerca de 35% destes, são graves e 3%, requerem hospitalização.
Referem ainda, que a cada ano, aproximadamente 20 crianças
morrem vítimas deste tipo de acidente, tendo como causa primária
em 75% dos casos, queda do equipamento, que foram associadas com
injúrias cerebrais. Destacam-se ainda como conseqüências
relacionadas a este tipo de acidente as fraturas, lacerações,
contusões, deslocamentos, amputações, esmagamentos
e lesões internas (6).
Dados
semelhantes são relatados na literatura, onde 75% dos acidentes
em parque infantil são causados por quedas, principalmente
de equipamentos para desenvolver agilidade, ou com obstáculos
que favorecem desequilíbrio e quedas. As demais injúrias
são causadas por colisões, especialmente nos escorregadores
e superfícies inapropriadas, ou ainda, quando encontra-se
expostos lascas afiadas ou parafusos soltos (7).
Com
relação à faixa etária mais atingida,
destacam crianças dos 5 aos 14 anos, com predominância
do sexo masculino (53,5%) sobre o feminino (46,5%) (8) e
em parques públicos.
Provavelmente,
a ocorrência maior de acidentes em parques públicos
tem relação com a manutenção dos equipamentos,
retrato que também pode ser observado em nosso país,
sendo que estes poderiam ser prevenidos, em maior ou menor grau,
através de programas de manutenção e supervisão
destes.
Estima-se,
ainda, que aproximadamente 40% dos acidentes em parque infantil
são resultados de uma supervisão inadequada (8).
Julga-se que esta supervisão deva envolver desde os responsáveis
pelas crian;as, pelo parque até os órgãos fiscalizadores.
Vale
ressaltar, que as injúrias em parque infantil, causam ônus
para a criança, família e sociedade, acarretando um
gasto estimado de 1,2 bilhões de dólares anualmente
nos EUA, relacionados à necessidade de atendimento de emergência,
assim como, tratamento de seqüelas (6).
Acredita-se
que estes dados, apesar de norte-americanos, devido a sua abrangência,
importância social e de saúde, devem servir como alerta
para profissionais e autoridades, quanto à necessidade de
intervenções e estudos sobre o tema em nosso país.
Recomendações
sobre Segurança
Para
segurança nestes locais, recomenda-se que os brinquedos devem
possuir identificações que determinem a qual faixa
etária é destinado; utilizar superfícies que
absorvam o impacto durante as quedas, em baixo e ao redor dos brinquedos
(borracha, produtos de cortiça e de madeira, areia, grama
e cascalho fino). Para brinquedos fixos a área a ser coberta
por este material que reduz o impacto, durante as quedas, deve estender-se
por pelo menos 1,75 m a partir da extremidade do equipamento, já
para os brinquedos móveis a área a ser protegida deve
ser de 1,75 m, além do deslocamento máximo do equipamento
(1).
As
crianças devem ser supervisionadas a todo instante, principalmente
quando elas estão subindo, balançando e escorregando
nos brinquedos, além de usarem protetores para cabeça,
joelhos e cotovelos. Acessórios como capuz e cachecol devem
ser removidos das crianças, sendo imprescindível que
elas estejam calçadas. Faz-se necessário checar a
temperatura das superfícies de metal antes das crianças
utilizá-las, pois a luz do sol pode causar queimaduras em
poucos segundos (8).
De
preferência deve ficar localizado próximo a banheiros,
telefone público, água potável e posto de primeiros
socorros. Em relação à manutenção
sugere-se que haja manutenção periódica pelo
menos a cada três meses, checando presença de superfícies
cortantes, parafusos soltos, alterações e desgastes
nas engrenagens, sendo esta realizada por profissional especializado.
Os defeitos observados devem ser comunicados imediatamente aos responsáveis,
e se necessário o mesmo deve ser interditado, não
esquecer de observar o ambiente quanto à presença
de materiais de risco (lasca de madeira, parafusos, objetos cortantes,
excretos de animais, dentre outros). Para garantir que as inspeções
sejam executadas sistemática e minuciosamente, recomenda-se
organizar uma lista de verificação cobrindo a revisão
de todos os itens.
Vale
lembrar, que o ideal é que os parques infantis fiquem localizados
em locais livres de poluição ambiental e de ruídos,
além de ficarem longe de tráfego intenso. Certifique-se
da existência de barreira física para impedir a saída
das crianças para a rua, evitando assim possíveis
atropelamentos, bem como, se há ciladas ou riscos óbvios
ao redor dos equipamentos para as crianças (1).
Recomendações
de segurança dos equipamentos:
·
Escorregador
Deve possuir corrimão, sendo preciso prover no topo um espaço
que permita a criança sentar com facilidade e segurança.
Serem confeccionados de material que evite acúmulo excessivo
de energia solar, de forma a prevenir queimaduras e que a parte
deslizante seja constituída de chapa única, evitando
escoriações, cortes ou ainda que a criança
possa enroscar peças do vestiário, o que aconteceria
no caso de mais de uma placa. No final da descida do equipamento,
é necessário uma discreta elevação para
amortecer a queda.
·
Balanço
Os assentos para lactentes devem ser do tipo cadeira, com encosto
e proteção nas laterais, com alças de correntes
fortes para a criança se segurar, sendo esta protegida de
plástico, para não machucarem a mão. Ao redor
do grupo de balanço devem ser erguidas barreiras de segurança,
ou seja, devem ser isolados por cerca, e a entrada deve ser projetada
de forma a restringir a velocidade de entrada dos usuários.
Devem ser utilizados exclusivamente para menores de 12 anos.
·
Gangorra
São indicadas para menores de 5 anos, devem possuir alças,
que permita a criança segurar-se adequadamente. A superfície
superior não deve ultrapassar o limite de um metro acima
do nível do chão, e deve possuir uma cadeira no local
de assento da criança, de material confortável. O
mecanismo de engrenagem deve ser fechado para evitar acesso indevido
das crianças, ocasionando ferimentos principalmente nos dedos.
Promover um movimento contido progressivamente até chegar
aos pontos extremos de movimento, de maneira que nenhuma parada,
ou repentina reversão do movimento, possa ocorrer.
·
Gira-gira
Deve existir uma barreira física (cerca) para evitar acesso
indevido, possuir alças para a criança se segurar
em todo local. Não é indicado para menores de dois
anos. Deve possuir encaixe perfeito da parte giratória com
o eixo do brinquedo, com um dispositivo que limite à velocidade
de rotação em 5m/s a 30 rotações por
minuto (rpm). Deve ter uma altura baixa, porém o suficiente
para que a criança não prenda o pé no chão.
·
Trepa-trepa
Recomenda-se o uso deste brinquedo por criança, após
cinco anos de idade. A altura total deste equipamento, não
importando se independe, ou vinculado à outra aparelhagem,
não deve exceder 2 metros, com barras bem fixadas ao solo,
e serem um equipamento aberto.
·
Tanque de arreia
A arreia deve ser limpa a cada três meses realizando a retirada
de objetos, materiais estranhos. Deve ainda ser trocada a cada dois
anos e revirada a uma profundidade de 50 cm anualmente. Usar produtos
adequados para limpeza. É necessário deixar coberto
a noite para evitar acesso de animais e de preferência ser
na sombra.
Manutenção
Em
relação à manutenção sugere-se
que haja três tipos de inspeções: a diária,
a registrada (realizada a cada 1 a 3 meses) e a inspeção
certificada que deverá ser realizada por profissional especializado
(a cada 8 a 12 meses). Sendo que os defeitos observados devem ser
comunicados imediatamente aos responsáveis pelo parque e
se necessário o brinquedo deve ser interditado. Para garantir
que as inspeções sejam executadas sistemática
e minuciosamente recomenda-se organizar uma lista de verificação
cobrindo o exame de todos os itens.
Considerações
A Prevenção
de acidentes na infância relacionada com brinquedos de parque
infantil, constitui um problema de difícil operacionalização,
pois não envolve somente o conhecimento sobre as normas de
segurança, é preciso o engajamento dos profissionais
que trabalham com crianças e a participação
da sociedade como um todo para exigir de seus legisladores ou representantes
a adequada manutenção deste espaço de lazer
e ainda, incitar os fabricantes de equipamentos de brinquedos de
parque infantil a aumentarem a segurança de seus produtos.
Deste
modo, esperamos contribuir com este artigo, de forma sucinta, com
reflexões sobre o tema, encorajando os profissionais a participarem
no processo de promoção da saúde através
da prevenção de acidentes com brinquedos parque infantil.
Lazer é coisa séria!
Bibliografia Recomendada
(1)
Harada, Maria de Jesus C. S., Pedreira, Mavilde da L. G. and Andreotti,
Janaina Trevizan Segurança com brinquedos de parques infantis:
uma introdução ao problema. Rev. Latino-Am. Enfermagem,
Jun 2003, vol.11, no.3, p.383-386. ISSN 0104-1169
(2) Associação Brasileira de Normas Técnicas
- ABNT. Coletânea de normas de segurança de brinquedos
de playground. Rio de Janeiro: ABNT; 1999. 29p.
(3) Sibert JR, Mott A, Rolf K, James R, Evans R, Kemp A, Dunstan
FDJ. Preventing injuries in public playgrounds throu partnership
between health services and local authority: community intervention
study. BMJ 1999 Jun; 318: 1595.
(4) Ramos SR. Prevenção de acidentes em parques infantis.
Informe Criança, 1999 agosto; (53):4.
(5) Centers for Disease Control and Prevention. Playground safety
[serial online] 2000 May [cited 2002 Mar 25]. Available from: URL:http://www.cdc.gov/safeusa/playgro/playgrou.htm
(6) Waltzman ML, Shannon M, Bowen AP, Bailey MC. Monkeybar injuries:
Complications of play. Pediatrics 1999 May; 103(5): 58.
(7) Stone DH, Morrison A, Ohn TT. Developing injury surveillance
in accident and emergency departments. Arch Dis Child 1998;78:108-10.
(8) National Center for Injury Prevention and Control. National
Program for Playground Safety [serial online] 2000 Jan [cited 2002
Apr 12]. Available from: URL: http://www.uni.edu/playground/home.html
(9) Filocomo FRF, Harada MJCS, Silva CV, Pedreira MLG. Estudo dos
acidentes na infância em um pronto socorro pediátrico.
Rev. Latino-am Enfermagem 2002; 10(1): 41-7.
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