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Ar
dentro dos canos d'água traz prejuízo a consumidores
da
Consumidor S.A.
Você
sabia que pode estar pagando por ar na sua conta de água? A passagem
do ar pela tubulação, principalmente durante períodos de corte no
abastecimento, faz o ponteiro do hidrômetro se movimentar e acusar
o consumo como se fosse água. As empresas de saneamento sabem que
o problema existe, mas, pelo que o Idec identificou, nem sempre
apresentam uma solução. Ao contrário, em alguns casos, é o consumidor
que tem de pagar para isso.
A água
é bombeada sob pressão nas redes de abastecimento. Em determinadas
condições, principalmente quando a rede é desligada, podem surgir
bolsões de ar nas tubulações. Ao chegar ao hidrômetro, esses bolsões
fazem girar o contador. Isso acontece com mais freqüência em regiões
altas e nos imóveis próximos ao final da rede. Quando ocorre rodízio
no abastecimento, são essas as áreas que ficam sem água primeiro.
Ao ser normalizado o fornecimento, a água empurra o ar que fica
na tubulação para os pontos de saída da rede. Quando a caixa d'água
está cheia, o ar não se movimenta na tubulação, pois entra por ventosas
que ficam na parte mais alta da rede, chegando aos canos menores
com menos força e sem condições de ativar o hidrômetro.
Conta
cai de 40 para 9 reais
O Idec tem recebido reclamações de consumidores que descobriram
que estão pagando pelo que não consomem. Em Curitiba, a empresária
Ângela Valuthky instalou um eliminador de ar na tubulação. Com isso,
sua conta de água caiu de R$ 39,99 para R$ 9,26. Em Boituva (SP),
o engenheiro e associado do IDEC Wolfram Henrich instalou um aparelho
de medição junto ao hidrômetro de sua casa e constatou que seu consumo
real de água não passava dos 19m3. O hidrômetro, porém, marcava
uma média de 35m3 mensais.
Tanto
a Sabesp, em São Paulo, como a Sanepar, no Paraná, admitem que o
problema existe e pode ser resolvido com a instalação, em certos
pontos da rede, de ventosas, uma espécie de válvula que extrai o
ar dos canos. A Sanepar afirma que as redes das regiões altas já
possuem essas ventosas, mas o problema continua ocorrendo quando
há corte de água. Já a Sabesp afirmou que, na cidade de São Paulo,
tem instalado as ventosas nas regiões onde o problema é mais freqüente.
A empresa ainda garantiu que, caso o consumidor suspeite que está
pagando por ar, ela faz uma averiguação técnica do problema e, se
constatada a irregularidade, revisa o valor da conta - como fez
com Henrich.
Eliminador
não foi aprovado
Outra proposta para resolver o problema é a instalação de um eliminador
de ar, como o que foi usado por Ângela Valuthky, e que já é aproveitado
em algumas cidades de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Porém, o aparelho
ainda não foi aprovado pelo Inmetro, o que significa que sua eficácia
está por ser confirmada. O Idec recomenda ao consumidor que não
instale o eliminador sem consultar primeiro a concessionária. Segundo
a Sabesp, esse aparelho não é adequado para locais sujeitos a inundações
ou problemas na pressão da água. Se for mal instalado, ele pode
acabar ajudando a contaminar a água.
Nas
cidades que já obrigam a instalação do eliminador de ar, há um novo
problema: a maioria das leis municipais que trazem essa determinação
jogam o custo para o consumidor, como se este fosse o responsável
pelos erros do hidrômetro, uma imposição que infringe o Código de
Defesa do Consumidor.
Como
pagar só pela água
Se você desconfiar de que está pagando pelo consumo de ar em vez
de água, reclame primeiro à concessionária. Pelo Código do Consumidor,
ela tem a obrigação de corrigir o problema, se houver, sem repassar
qualquer custo ao consumidor. No Estado de São Paulo, a Sabesp tem,
nas áreas de sua cobertura, as plantas das redes que instalou, podendo
verificar se as ventosas foram colocadas ou não.
Se
o problema do ar for confirmado e a empresa não instalar as ventosas,
ou, ainda, se você não estiver convencido da resposta da concessionária,
envie uma carta para ela com A.R. (aviso de recebimento), comunicando
formalmente o fato e exigindo os descontos necessários na conta.
O Idec preparou um modelo para essa carta. Você pode também reclamar
ao Procon e ao promotor de Justiça de sua cidade. Afinal, tendo
de pagar por água e recebendo ar, toda a comunidade estará sendo
roubada. Uma última alternativa é recorrer ao Juizado Especial Cível,
caso o valor dos descontos exigido não ultrapasse quarenta salários
mínimos. Pelo Código do Consumidor, você pode exigir a devolução
em dobro dos valores cobrados pelo ar.
Você
também pode se prevenir: nos dias em que houver corte de água, feche
o registro geral da casa e só abra-o novamente vinte minutos depois
que o abastecimento for normalizado. Assim, quando a água voltar
à rede, não irá empurrar o ar para a sua casa. Com isso, sua conta
no final do mês poderá registrar uma redução no consumo e você verá
confirmada, ou não, sua suspeita.
Site
do IDEC
- Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
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