Saborosa tábua de pirulito

Eles são nove músicos - oito homens e uma mulher - e se reuniram nas salas do Conservatório Pernambucano de Música em 1995, quando o professor e flautista Sérgio Campelo teve a idéia de criar este belo grupo acústico. Em agosto de 1998 lançaram seu primeiro disco, que em pouco tempo vendia mais de 10 mil unidades; no mesmo ano o SaGRAMA ganhava o primeiro lugar do Prêmio AESO de Cultura Pernambucana e chegava a finalista do então prestigiadíssimo Prêmio Sharp. Ano de muitas vitórias, 1998 fechou com o grupo gravando, em dezembro, a trilha sonora original, composta pelo mesmo Campelo para a microssérie O Auto da Compadecida, adaptação da obra de Ariano Suassuna exibida pela TV Globo em janeiro de 99.

Hoje já estão no quarto CD, que estou ouvindo, deliciada, no momento em que escrevo esta notinha pra vocês. Chama-se "Tábua de Pirulito" e tem 17 faixas - tão saborosas quanto sugere a bela capa cheia de pirulitos embrulhados em papéis coloridos, e ao mesmo tempo tão envolventes que me dá vontade de largar o computador e sair dançando pela casa. Sou obrigada a me conter, pois preciso apresentar os músicos: o diretor Sérgio Campelo (flautas), o assistente de direção Cláudio Moura (violão, viola nordestina), a bonita Frederica Bourgeois (flauta), Crisóstomo Santos (clarinete), Fábio Delicato (violão), João Pimenta (contrabaixo), Antônio Barreto (marimba, vibrafone, percussão), Tarcísio Resende (percussão) e Gilberto Campello (percussão).

Muitos instrumentos enriquecem os arranjos de Sérgio Campelo, como é o caso da rabeca lindamente tocada pelo solista convidado Yerko Pinto no frevo "Rabecada", de José Menezes, e a participação especial do Quinteto de Cordas da Paraíba em "Gajeiro", de Cláudio Moura. A percussão, então, é uma festa: vai dos tradicionais pandeiro, gongo, triângulo, ganzá, marimba e zabumba até os timbales, xilofone, prato-de-choque, reco-reco de chifre, caixa-clara, caxixis, alfaia de macaíba (instrumento usado no maracatu) e mesmo uma moringa de três bocas, entre outros menos usuais. E o repertório - onde se destacam as faixas "Brilhareto", "Papagaio de papel" e "Pé de camurça", do maestro Dimas Sedícias, já falecido, a quem o SaGRAMA dedica este disco - passeia por vários gêneros: do baião "Cantiga", de Clóvis Pereira, ao reisado "Guerreiro do além-mar", de Sérgio Campelo; da quadrilha "Carnavá na roça", de Lourival Oliveira, à toada "Légua tirana", parceria dos mestres Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; do galope de "Lamento ribadêro", de Fábio Delicato, à harmonia indígena de "Cauin", também do diretor musical do grupo, que além de vozes ganhou maracas usadas pelos fulni-ô, tribo originária de Pernambuco.

O respeitado crítico musical Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, é quem assina o texto de apresentação deste dançante Tábua de pirulito, e revela que o nome do grupo foi "garimpado numa escala musical de origem indo-européia". Se você quiser entrar em contato com essa turma maravilhosa e saber onde comprar seus discos, mande um e-mail para: sagrama@sagrama.com.br

Apresentação de Nelly Novaes Coelho
Crítica de Luciano Trigo - Prosa & Verso
Apresentação de Evaldo Cabral de Mello



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