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Seis
teares em movimento
Foi
linda a festa de lançamento do ateliê Teares, no feriado do Dia
do Trabalho, na Fazenda Inglesa, Petrópolis, mais exatamente dentro
do pedaço de paraíso onde mora minha amiga Cristina Duarte, parceira
de Sonia Ritter nesse empreendimento. Em meio ao coquetel, servido
por garçons sob um toldo de inspiração asiática amarrado a bambus,
as sobrinhas de Tina, algumas amigas e/ou namoradas de seus dois
filhos mais velhos desfilaram os belíssimos xales e écharpes multicoloridos;
depois, os panos maiores, com os quais se podem fazer calças, saias
e camisas, foram desenrolados e estendidos para que os convidados
pudessem apreciar a criatividade do desenho e a alta qualidade da
confecção. Mas o ponto alto da festa não estava no programa: alguém
enrolou uma écharpe ao pescoço de João Luiz, de apenas três anos,
filho do segundo casamento de Tina, e o garoto desfilou serelepe,
imitando as primas, para deleite da enorme turma presente, que ia
do artista plástico Antonio Peticov ao cartunista e escritor Jaguar.
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Muita
gente fez questão de conhecer o ateliê para entender melhor
o funcionamento dos seis teares, três de pedal - o mineirinho,
o mineirão e o Catarina - e mais três de pente liço. Ali vêm
trabalhando há meses, seis horas por dia, as tecelãs Lena, Nalva
e Roseli, moradoras do bairro, que se interessaram em aprender
essa arte tão especial. "Rosa, a primeira de todas, começou
no primeiro semestre de 2003, trabalhando comigo no ateliê e
fazendo aquilo que eu sabia fazer - tapetes, jogos americanos",
conta Tina. |
"Mais
tarde Rosa comprou um tear, que levou para Minas quando se mudou
para lá, em março deste ano, e onde mantém a relação de trabalho
com a gente: já mandou 21 xales feitos com fios e concepção nossa".
Jornalista
com passagem pela redação de alguns dos principais órgãos de comunicação
do país, como o Jornal do Brasil (onde nos conhecemos nos
anos 70), O Globo, TV Globo e revista Veja/Rio,
Cristina Duarte, a Tina, durante oito anos deu aulas na Faculdade
de Comunicação da PUC/RJ, onde também editou as publicações do Instituto
de Relações Inetrnacionais (IRI). Ex-moradora de Santa Teresa, em
1984 ela optou por uma vida mais saudável e passou a viver em ua
bela ca casa na serra. "Com a mudança para Petrópolis, pude me dedicar
a um grande prazer, o artesanato", confessa, acresentando que se
apaixonou primeiro pela cerâmica e mais recentemente - "e mais perdidamente"
- pelo tear manual.
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A
idéia de criar o Teares nasceu do encontro de Cristina Duarte
com Sonia Ritter, artesã que iniciou suas pesquisas em tecelagem
manual após uma viagem aos Andes em 1981. A primeira foi aprender
tear mineiro com a segunda em Santa Teresa, num ateliê que Sonia
dividia com Gilda Joppert, o Trama Carioca. A gravidez afastou
Sonia do ateliê por um tempo, e quando ela quis voltar as coisas
e pessoas tinham mudado. De sua parte, Tina sonhava, há muito
tempo, em criar um ateliê de tecelagem, de preferência com a
professora Sonia, de quem se tornara amiga. |
"Mas
só depois que Sonia saiu da Trama Carioca, depois que ela teve a
Júlia, e que a Julia cresceu e pôde ir para a creche, é que foi
possível pensar em concretizar esse projeto", explica a jornalista,
feliz com a nova empreitada.
O texto
do convite para o coquetel de lançamento do Teares, com um pequeno
currículo das sócias, me informa que, ainda nos anos 80, Sonia Ritter
realizou seu primeiro projeto de recuperação da cultura têxtil no
sul de Minas Gerais. "Desde então vem divulgando a tecelagem manual,
campo em que se tornou mestra, dando cursos em vários ateliês e
instituições", completa. Também amante da vida saudável, essa moradora
do Alto da Boa Vista já expôs no Rio e em São Paulo, fez projetos
têxteis para cenografia de novelas e minisséries da TV Globo e atualmente
está pesquisando a utilização de materiais reciclados em tecelagem.
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Além
dos xales e écharpes, que tanto podem dar um toque fashion a
uma roupa esportiva quanto acrescentar sofisticação a um modelito
mais transado para a noite, os xales maiores também se transformam
em belas mantas para cobrir sofás e poltronas, e as artesãs
aceitam encomendas de tecidos para confecção de saias e outras
peças. O Teares funciona de meio-dia às seis da tarde, e é necessário
marcar visita pelo telefone (0-xx-24) 2231-3459 ou pelo e-mail
cristinaduarte@msn.com.
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Quando for passear em Petrópolis, não perca a chance de conhecer esse
ateliê encantador num dos pontos mais bonitos da serra. É bom pra
dar um "upgrade" no espírito.
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