Lewgoy em outra dimensão

Zé Lewgoy era um ator perfeito, um dos melhores do mundo em todos os tempos. E, como tal, era vaidoso - tão vaidoso que proibiu a direção do Hospital Samaritano de informar que ele fora internado. Por isso, na noite de 10 de fevereiro a notícia de sua morte me pegou desprevenida, debaixo do chuveiro, cantarolando uma daquelas canções dos anos 60 que a rádio Antena Um toca sem parar, com pouquíssimos intervalos onde nos informa rapidamente que o dólar caiu 0,1%, a temperatura ultrapassou os 40 graus, ou "morreu hoje no Rio de Janeiro, aos 82 anos, um dos maiores atores brasileiros, José Lewgoy".

Na segunda-feira em que ele partiu para outra dimensão, eu e meu marido chegáramos do trabalho pouco depois das 21 horas, e, cheia de fome, fui direto à cozinha para preparar uma salada rápida. Quando ouvi a notícia no rádio, o susto me fez gritar, e veio a tonteira forte, uma sensação de perda, impotência, impossibilidade de mudar o que estava feito, acabado... ponto final. As lágrimas debaixo do chuveiro pareciam ganhar volume, densidade, a dor se tornando mais e mais aguda, e foi torturante sair dali, pegar a toalha, secar o cabelo - tudo ficou difícil, lento, doloroso. Atraído pelo grito, meu marido correu ao banheiro: "O que houve? Quem morreu?" - perguntou. Arrasado diante da minha resposta, vestiu-se rapidamente e corremos para o cine Odeon, onde estava acontecendo o velório.

Perto das 11 da noite havia ainda muita gente na cafeteria do cinema e nas mesinhas do lado de fora: Antonio Pedro, Hugo Carvana e Marta Alencar, Cora Rónai, Millôr Fernandes, seu filho Ivan Fernandes, Olivia Byington, Eliana e Chico Caruso, entre outros. Lá dentro, junto à telona branca, estava Lewgoy no caixão - sereno, com aparência de quem morrera sem sofrimento (o que confirmei depois: ele estava sedado, não sentiu dor). De pé à sua cabeceira, comecei a rezar, enquanto Zé Mario, meu marido, conversava com os parentes de Lewgoy - o sobrinho Zélio Hocsman, vice-presidente da federação das Associações Empresariais do Rio Grande do Sul, e o sobrinho-neto Luciano - que tinham vindo de Porto Alegre no sábado, dia 8, avisados por Eliana e Chico Caruso, os amigos que providenciaram a internação do ator.

Estava eu ali rezando quando José Wilker chegou, colocou-se do outro lado da cabeceira, em frente a mim, e começou a chorar convulsivamente, feito criança. Fiquei ainda mais comovida: eu nunca vira José Wilker chorar no cinema ou na TV, e vê-lo assim verdadeiramente emocionado, num momento em que só havia na sala quatro pessoas desconhecidas - ou seja, na ausência de fotógrafos, jornalistas, cameramen ou outros artistas- num pranto real, sem nada de cenográfico, é algo que recordarei para sempre.

Logo em seguida, Eliana Caruso se aproximou e eu lhe falei de meu espanto por não ter lido nada nos jornais sobre a internação desse amigo tão querido. "Ele nos fez prometer que não contaríamos pra ninguém, foi uma exigência dele", disse. E me explicou como tudo aconteceu. No dia 1º de fevereiro, como fazia todos os sábados, Lewgoy foi almoçar com o casal Caruso, que o encontrou fraco, abatido e sem apetite. Depois de muita resistência, ele aceitou ser internado no dia 4, terça-feira, no Hospital Samaritano, de onde saiu no dia seguinte. Estava com infecção respiratória. Tônia Carrero contou mais tarde que, ao regressar a seu apartamento na Curva do Calombo, na Lagoa, Lewgoy - conhecido também por sua rebeldia contra médicos e medicamentos - jogou fora todos os remédios receitados no hospital. No dia 7, quando foi internado de novo, o quadro se agravara.

Luciano Hocsman, seu sobrinho-neto, me contou que ao chegar ao hospital com o pai, no sábado, o médico informou que fora obrigado a colocar o paciente em aparelho respiratório porque ele não aceitara a fisioterapia bronco-pulmonar. No domingo ele melhorou, os médicos disseram que fora possível oxigenar bastante os pulmões, e que talvez pudessem transferi-lo da UTI para o quarto 24 horas depois, mas as previsões mais otimistas não se concretizaram. Diante das ordens expressas de Lewgoy para não revelarem que estava internado, o diretor do hospital, ao receber um telefonema do jornal O Globo - na tentativa de confirmar a informação de que o ator ali se encontrava - não pôde responder às perguntas do repórter, honrando até o fim a decisão do paciente. Com isso, até os mais chegados foram surpreendidos pela triste notícia da morte de Zé Lewgoy, de parada cárdio-respiratória, às 16h10 daquela segunda-feira.

Em conversa com Luciano Hocsman, um advogado de 29 anos que vai cuidar do inventário do tio-avô, eu soube que Lewgoy deixou no computador muitas fotos escaneadas por ele mesmo, material para a autobiografia que estava preparando por encomenda da Topbooks (e idéia de José Mario Pereira). Não conseguiu escrever muito: era supersticioso, e achava que morreria ao terminar suas memórias. O mesmo ocorrera com relação ao documentário biográfico que ia começar a ser rodado este mês: o produtor paulista Cláudio Kahns contou que foi uma dificuldade convencê-lo a tocar o projeto. "Ele achava que fazer um filme ou um livro marcaria o fim de sua vida", contou Kahns ao Jornal do Brasil.

GARÇONS E MOTORISTAS DE TÁXI

Na minha crônica de dezembro último, contei a vocês sobre um jantar com Tônia Carrero e José Lewgoy, onde ele revelou, em primeira mão, alguns detalhes deste documentário [leia Gente que parece vinho]. Nesse momento de póstumas homenagens, quero recordar outros aspectos interessantes, como seu lendário mau humor, exercitado especialmente sobre garçons e motoristas de táxi. Com um alto nível de exigência gastronômica, era comum, na antiga churrascaria Plataforma (antes das reformas), ver Zé Lewgoy devolver o prato pedido por achar que não estava à altura de seu refinado paladar. E isso ele fez a vida toda. Seu sobrinho-neto confessou-me que, há pouco tempo, a família passou por uma saia-justa ao levar o tio ilustre no melhor restaurante de carnes de Porto Alegre, e vê-lo devolver cinco filés por considerá-los de má qualidade. "O maître vinha com a colher e cortava a carne com a maior facilidade, mas o tio contra-atacava: 'Você está afiando esta colher lá dentro'!".

No final de janeiro, eu e meu marido pegamos um táxi do Flamengo para Ipanema e, quando já chegávamos a nosso destino, fizemos um comentário sobre Lewgoy. Na mesma hora o taxista entrou na conversa: "Ah, vocês conhecem o José Lewgoy? Já levei ele em casa muitas vezes, ali na Curva do Calombo. Gente, ele reclama muito, reclama de tudo, do rádio ligado, do carro que parou na nossa frente atravancando o trânsito, do sinal fechado... É tão ranzinza que eu acho até engraçado", disse o rapaz, rindo. Tenho uma explicação para essa sua especial implicância: morando sozinho, comendo sempre fora e sem poder mais dirigir, por conta do problema de coluna, Lewgoy pegava no mínimo quatro táxis por dia para ir e voltar de restaurantes - no almoço e no jantar. Não havia, portanto, pessoa no mundo com quem ele se relacionasse mais do que os garçons e taxistas do Rio de Janeiro, que com isso se tornaram as "vítimas preferenciais" de seu mau humor.

Por falar em coluna, Lewgoy sofria há muitos anos com um grave problema vertebral, que o obrigou a usar bengala e a passar por uma delicada cirurgia nos Estados Unidos (acompanhada de perto por um atencioso Boni, à época todo-poderoso da TV Globo, empresa que pagou todos os custos cirúrgicos, segundo me revelou o próprio Lewgoy). Mas essa coluna problemática não o impedia de dirigir, coisa que ele adorava. Há cerca de oito anos, aos 74 portanto - e já tendo a bengala por fiel companheira -, ele subiu dirigindo a serra de Petrópolis, parou no Hotel Quitandinha, onde eu e meu marido estávamos passando o fim de semana, e nos levou para almoçar num restaurante de que gostava muito, o La Belle Meunière, na estrada União e Indústria. Na volta, nos deixou em casa e seguiu viagem sozinho até o Rio.

Só parou mesmo de dirigir quando o automóvel foi roubado na porta de seu restaurante favorito, na rua Prudente de Moraes, em Ipanema: ele entregou a chave ao manobrista, como fazia sempre, mas ao final do jantar seu carro havia desaparecido. Lewgoy contava para todo mundo sua briga contra os proprietários e a dificuldade que vinha encontrando para ser ressarcido do prejuízo. Nunca mais comeu naquela casa que tanto ajudou a divulgar, transformando dezenas de amigos em clientes. Era exatamente esse o comentário que eu e meu marido fazíamos dentro do táxi acima citado; ao passarmos no local, eu disse: "Como caiu esse restaurante, não se fala mais". E ele: "Pois é, a queda começou depois que roubaram o carro do Lewgoy, isso detonou o prestígio do lugar". Era assim mesmo: Lewgoy tinha o poder de fazer e desfazer restaurantes, e foram muitos os que ele elogiou, promoveu, encheu de clientes, para mais tarde - ao ver declinar a qualidade da comida e do serviço - abandonar e não mais recomendar aos amigos.

CONTRA A BURRICE E A DESELEGÂNCIA

Muitas vezes o que para alguns parecia ranzinzice era, na verdade, uma louvável indignação contra a grosseria e a ignorância, males típicos dos novos tempos, sobretudo na cidade grande. Lewgoy era um homem cultíssimo, que falava ucraniano, russo, iídiche e inglês, línguas de seus pais (ele russo, ela americana), e mais espanhol, francês, alemão e italiano. Estava agora aprendendo japonês sozinho: não escondia seu fascínio pela cultura japonesa, e pretendia conhecer o Japão ainda em 2003. Sua família - que ele amava desmesuradamente, e sobre a qual estava sempre falando para os amigos cariocas - é culta, inteligente, educadíssima, e ao conhecer pequena parte dela no velório percebi o quanto devia ser difícil para ele, Lewgoy, digerir os maus modos de megalópolis dessa nossa deteriorada Cidade Maravilhosa.

A falta de informação e o desleixo profissional eram coisas que também (sensatamente) não perdoava. Contavam que uma vez destratou uma repórter. Nada mais justo: a moça chegou dizendo que precisava fazer uma entrevista longa e, além daquele monte de pergunta besta e desnecessária - como por exemplo, quando e onde ele nasceu, coisa que se encontra em menos de 3 minutos de pesquisa em jornais ou na internet - ela teve a audácia de soltar a seguinte pérola: "Você, que já fez tantas novelas, nunca teve vontade de fazer cinema?" Cá pra nós, quem agüentaria calado uma perguntinha safada dessas?

Nosso melhor ator estrelou dezenas de jóias do cinema nacional, onde debutou em 1948 no filme Quando a noite acaba. Ficou famoso com as deliciosas chanchadas da Atlântida - Amei um bicheiro, Aviso aos navegantes, Matar ou correr, entre muitíssimas outras - onde era sempre o vilão, Cyl Farney o galã, Oscarito e Grande Otelo os personagens cômicos. Destacou-se em Terra em transe, de Gláuber Rocha, e era o preferido de Guilherme de Almeida Prado, com quem filmou A dama do Cine Shangai, Perfume de gardênia e A hora mágica. Fez dois filmes com Werner Herzog, e eu vivia lhe pedindo pra contar de novo as espetaculares brigas do diretor com o protagonista de Fitzcarraldo, o neurótico Klaus Kinski, que ele presenciara, e sabia narrar com verve.

Louco por teatro, Lewgoy assistiu à estréia norte-americana de Um bonde chamado desejo, com Jessica Tandy como Blanche Dubois (papel que mais tarde foi de Vivien Leigh no cinema). Nessa época ele estudava teatro na Universidade de Yale, com bolsa de estudos obtida por indicação de Érico Veríssimo. (E continuou amicíssimo da viúva de Érico até o fim da vida. Ao saber da morte do amigo, Dona Mafalda Veríssimo, bem mais velha, reagiu com naturalidade: "Ele teve uma vida intensa, maravilhosa. Agora descansa").

Sua paixão mais recente na área teatral era o dramaturgo inglês Tom Stopard: Lewgoy queria ir a Londres para assistir à montagem da trilogia The Coast of Utopia, um épico com nove horas de duração. No jantar que tivemos em dezembro, ele comentou que estava obcecado pela vontade de ler as três peças (Voyage, Shipwreck e Salvage), e ficou louco quando meu marido contou que tinha os livros, recém-lançados na Inglaterra. Com a excitação de uma criança na expectativa de ganhar novo e desejado brinquedo, Lewgoy pediu cópias, e dias depois Zé Mario lhe mandou a xerox dos três volumes.

Ele fez muito menos teatro do que gostaria, mas jamais esquecerei sua comovente atuação em O jardim das cerejeiras, de Tchekov, como o velho em processo de alienação mental que, ao final da peça, é esquecido por sua família na mudança, e deixado na antiga casa, trancado. Embora pequeno, era tão forte o papel, e tão bem defendido pelo ator, que hoje não consigo lembrar quais foram os outros artistas que dividiram o palco com Lewgoy naquele belo espetáculo. Todas essas lembranças seguirão me emocionando ao longo da vida, ajudando a suportar o enorme vácuo nascido da ausência de José Lewgoy - não só a nível pessoal, entre os que conviveram com ele, mas também social e culturalmente, por se tratar de um artista absolutamente insubstituível.

AOS 82 ANOS, O MEDO DO DESEMPREGO

Nascido em 16 de novembro de 1920 em Veranópolis, Rio Grande do Sul, o escorpiano José Lewgoy teve seis irmãos e uma irmã, dos quais hoje só há um vivo (em idade avançada, e com problemas de saúde). Cidadão do mundo, mantinha tão forte ligação com as raízes que seu e-mail era verano @, sua empresa se chamava Veranópolis, e Natal e Ano Novo tinham de ser curtidos com a imensa família, em Porto Alegre. Embora fosse o caçula, aos 15 anos já trabalhava, vendendo móveis, e aos 18 se formou em Economia. Só na década de 40 ele debutou nos palcos, mais exatamente no Teatro do Estudante gaúcho. Depois veio a temporada de estudos nos Estados Unidos, o cinema em 1948 e mais tarde a televisão, onde estrelou mais de 30 novelas, seriados e "Casos Especiais".

Ator favorito de Gilberto Braga, marcou presença em Dancin' days, Água viva, Louco amor, A força de um desejo, e nas séries Anos dourados e Labirinto - entre muitas outras coisas inesquecíveis como Feijão maravilha, Cavalo de aço, Anjo mau, O tempo e o vento e Os Maias. Era difícil andar com ele na rua, tamanho o assédio do público. Meu marido fez isso 20 dias antes de sua morte, e pôde comprovar: numa caminhada de 150 metros entre o escritório da Topbooks, na rua Visconde de Inhaúma, e o restaurante Mosteiro, dezenas de pessoas cumprimentaram o ator famoso, e cinco pediram autógrafos. A chegada ao restaurante, então, foi triunfal: em todas as mesas, lotadas de executivos e políticos, havia murmúrios, olhares de surpresa, cotoveladas entre os comensais. E ele seguia em seu caminhar lento, imperial, apoiado na bengala, fingindo que não notava; somente os olhos revelavam o quanto se envaidecia com aquilo.

Pois esse ator incomparável, que tantas emoções deu ao público, no Brasil e no exterior, ultimamente sofria o pânico de ser demitido da TV Globo, onde trabalhou por décadas. Em dezembro último, ele recebera a informação de que a empresa decidira acabar com a política de manter bons atores sob contrato, e a partir de 2003 passaria a convocá-los para serviços específicos, pagando por tarefa. A perspectiva de ficar sem emprego aos 82 anos vinha torturando o grande ator, e não tenho dúvidas de que essa insegurança colaborou, psicologicamente, para a deterioração de sua saúde.

Estou certa também de que ele, de alguma forma, intuía não ter muito tempo de vida. Um sério problema na próstata vinha fazendo Zé Lewgoy pensar na morte com freqüência maior ultimamente; prova disso é que começara a dar aos amigos alguns livros que amava. Eu e Zé Mario ganhamos uma belíssima enciclopédia em cinco volumes, editada na França, com centenas de ilustrações e pranchas a cores - verdadeira raridade bibliográfica. Quando perguntei por que ele se desfazia de coisa tão bonita, me disse, com tranqüilidade: "Eu moro sozinho, minha família vive no Sul e não conhece meus amigos do Rio. Como eu posso morrer de repente, prefiro presentear alguns livros importantes a pessoas que irão lhes dar o valor merecido".

Vencedor do Kikito de Ouro de melhor ator no Festival de Cinema de Gramado, em 1976, por sua atuação em O Ibraim do subúrbio, e do prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília, em 1994, por sua participação em Antônio José, o Judeu, o astro Lewgoy vai seguir brilhando nas telas. Ainda este ano teremos a estréia de Apolônio Brasil, o campeão da alegria, onde mais uma vez faz o vilão. O diretor Hugo Carvana contou no velório que ele continuava obsessivo e perfeccionista: quando tentaram colocar um dublê nas cenas em que seu personagem fazia movimentar o carrinho, uma espécie de cadeira de rodas motorizada, Zé Lewgoy, apesar dos problemas de coluna, recusou peremptoriamente, e aprendeu a pilotar a geringonça com desenvoltura.

Para terminar, quero contar pra vocês uma história deliciosa, revelada por Luciano Hocsman na terça-feira de vigília no Cine Odeon. Entre 1954 e 1964, Lewgoy viveu em Paris, estudando e batalhando papéis em cinema. Chegou a filmar com o célebre Jean Marais, fez um outro filme em Nice, mas sobrevivia mesmo pintando quadros, que vendia nas ruas de Montmartre. Certo dia, sua família recebeu, no Sul, uma carta em que o jovem ator (e pintor compulsório) lamentava a falta de dinheiro e dizia que não tinha nem como retornar ao Brasil. Solidários, eles passaram o chapéu entre todos os parentes e enviaram a Lewgoy uma quantia que dava para quitar dívidas, arrumar suas coisas e comprar a passagem de volta. Pois ele mandou um bilhete com a seguinte resposta: "Merda por merda, prefiro a merda francesa". Embolsou a grana e ficou em Paris por mais um longo tempo, aprendendo a fazer de seu ofício motivo de admiração e orgulho para todos nós, brasileiros.

Apresentação de Nelly Novaes Coelho
Crítica de Luciano Trigo - Prosa & Verso
Apresentação de Evaldo Cabral de Mello



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