Olinda e Recife no traço do artista

Conheci João Câmara em 1999, em Olinda, onde ele vive numa casa imensa e acolhedora, cheia de árvores frutíferas, ao lado de uma mulher muito especial, Adelaide, e dos três filhos: Adriana, Joana e João. Quase em frente à casa, na mesma ladeira de São Francisco, está seu ateliê, também amplo, pé direito altíssimo, que abriga suas telas e painéis de grandes dimensões. Fiquei encantada - tanto com a atmosfera carinhosa do casarão familiar antigo quanto com o jeitão de loft nova-iorquino do estúdio do artista, sem falar no impacto que a obra de Câmara provoca em quem só a viu em fotografias: pelo tamanho, pelas cores, pela luminosidade, pela qualidade.

Ele tinha apenas 18 anos quando começou a acumular prêmios ao ganhar, em 1962, o primeiro lugar em pintura e o segundo lugar em desenho no Salão Universitário de Belo Horizonte, e o primeiro em pintura no Salão de Artes Plásticas do Estado de Pernambuco. Paraibano radicado em Pernambuco, artista respeitado no Brasil e no exterior - já expôs em Cuba, Argentina, Colômbia, México, França, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Itália, Japão, Hong Kong e várias cidades dos Estados Unidos - projetou-se em 1967 ao vencer o Salão de Arte Contemporânea de Brasília. A convite de Oscar Niemeyer, ele pintou o painel interno, de 21m de comprimento por 4m de altura, do Monumento a Tiradentes, na capital federal.

A mostra "Duas Cidades", que fica de 25 de julho a 25 de agosto na Galeria do Século XXI do Museu Nacional de Belas Artes (tel: 21-2240.0068) depois de temporada de sucesso na Pinacoteca do Estado de São Paulo, reúne cerca de 80 pinturas e objetos produzidos entre 1987 e 2001, num conjunto que fecha a trilogia iniciada com "Cenas da vida brasileira" (1974/76, hoje no acervo do Museu de Arte Moderna do Recife) e "Dez casos de amor" (1977/83, pertencente à coleção Roberto Marinho, RJ).

Olinda e Recife foram a inspiração de J. C. para compor as obras desta belíssima exposição, que ganhou um catálogo de 136 páginas, fartamente ilustrado, com textos do artista e apresentação do crítico Emanoel Araújo. O rio Capibaribe, que inspirou o maior painel da série, um políptico com sete peças (óleo sobre tela em madeira com objetos), também mereceu do autor uma crônica, publicada originalmente no Jornal da Tarde, que revela um pouco do fazer artístico e muito do alto nível literário deste artista múltiplo: O ofício das cores. Para conhecer melhor o mundo mágico de João Câmara, você pode entrar no site do pintor, gravurista, escultor, desenhista (e psicólogo!): www.joao.camarafilho.nom.br

Apresentação de Nelly Novaes Coelho
Crítica de Luciano Trigo - Prosa & Verso
Apresentação de Evaldo Cabral de Mello




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