Ganhou quatro Oscars, merecia dez

Tem três horas e sete minutos de duração mas a gente nem sente, e quando termina dá vontade de ver de novo. Trata-se de "Barry Lyndon", o filme menos famoso de Stanley Kubrick, que levou 26 anos para sair em vídeo. Corra à locadora mais próxima e reserve o fim de semana pra saborear com calma esta obra-prima. É tão perfeito o cuidado na reconstituição de época (século XVIII, antes e após a Guerra dos Sete Anos), nos cenários suntuosos, nas belíssimas locações (Alemanha, Irlanda e Inglaterra), nos figurinos (desenhados a partir de quadros, na maioria da escola flamenga), na postura dos atores, e, sobretudo, no uso da luz e da cor - não se usou iluminação artificial, só a luz do sol ou de velas - que cada imagem nos faz pensar em grandes mestres da pintura.

Assim como fez nos anteriores "Spartacus" (Koestler), "Lolita" (Nabokov) e "Laranja Mecânica" (Burgess), e nos posteriores "O Iluminado" (Stephen King) e "De olhos bem fechados" (Arthur Schnitzler), também aqui o nova-iorquino Kubrick, autor do roteiro, inspirou-se na literatura: no caso, um clássico inglês de 1844, "The adventures of Barry Lyndon", de William Thackeray, sobre a ascensão e queda de um irlandês que faz de tudo para se tornar rico e nobre. Mais alto o coqueiro, maior o tombo do coco... Preste atenção também na trilha sonora: vai de Bach a Mozart, passando por Haendel, Vivaldi e Schubert. Melhor impossível.

Apresentação de Nelly Novaes Coelho
Crítica de Luciano Trigo - Prosa & Verso
Apresentação de Evaldo Cabral de Mello




Fale Conosco - Para anunciar no Portal - Para obter mais informações
Site melhor visualizado na resolução 800x600 pixels.

Copyright © 2005, QuadraVirtual - Soluções via Web Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização.